quarta-feira, 6 de junho de 2007

Samba, Prosa e Poesia

Samba, Prosa e Poesia

a produção de conhecimento na periferia

por Thiago Molina

"Samba, Prosa e Poesia: a produção de conhecimento na periferia" é uma aula/debate agendada para quinta-feira, 14/06/07, às 19h, organizada pelo coletivo "Ocupação Afirmativa" como atividade do “Cultura de Greve”, ciclos de debates de formação.


A aula tem o objetivo de trazer para a USP artistas e intelectuais, em sua grande maioria negros, que estão produzindo conhecimento e arte na periferia da cidade e do sistema, sem (ou muito pouco) apoio e/ou financiamento governamental.


A intenção desta aula é levantar o debate em torno do significado de universidade pública. Será que é pública uma universidade que excluiu os negros, indígenas e desvalidos do direito a educação superior? Será que é pública uma universidade que rotula como "inculto", "sem valor", o conhecimento e a arte de tudo que não é europeu?

Como estudantes desta universidade, negros e/ou oriundos da periferia de diversas cidades, somos particularmente incomodados com a falta de democratização no acesso e de apoio a permanência para aqueles que desafiam o sistema para ocupar uma vaga nas universidades públicas deste país, tradicionalmente freqüentadas pela elite e majoritariamente formadas por estudantes brancas e brancos. Por conta da greve, nossa organização é mais que necessária para que nossas pautas sejam ouvidas e para que nossos objetivos concretizem-se e saiam do plano dos sonhos. Aqui, estamos falando de políticas de ações afirmativas, especialmente de cotas.


Assim, consideramos que nada melhor do que mostrar aos estudantes da USP quem está por trás da produção artística na periferia e, ao mesmo tempo, dar voz dentro da universidade a grupos organizados que tem buscado mudar a realidade em que vivem através da arte. Grupos estes que são detentores de uma experiência única, porém com acesso a universidade somente através de teses e dissertações mofadas na biblioteca. Acreditamos que diversidade é fator fundamental para o crescimento mútuo e é por uma universidade plural que estamos brigando. Cansamos da opinião única e eurocêntrica na universidade pública! Queremos que nossos irmãos e irmãs se apresentem à universidade como protagonistas que são da nossa história! É hora da periferia e da população negra parar de ser objeto de estudo e falar por ela mesma. É isso que os grupos e pessoas convidados tem feito na sua vila, nas suas respectivas quebradas, cada um ao seu modo.

Primando pela real pluralidade na universidade pública, queremos gritar bem alto:

É tudo nosso!!!

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