terça-feira, 31 de julho de 2007

Convite para participar da comissão aberta sobre a Audiência pública do INCLUSP

Durante a ocupação da Reitoria, em maio de 2007, uma das questões fundamentais abordadas foi a democratização do acesso e permanência de grupos socialmente excluídos da Universidade de São Paulo. A partir disso, mostrou-se necessária a discussão do programa já adotado pela Universidade, o INCLUSP.

Em 23 de maio de 2006, a USP aprovou o INCLUSP (Programa de Inclusão Social da USP) com o objetivo de, em suas palavras, “dar sua contribuição à tarefa nacional de superação da desigualdade que tão fortemente marca a sociedade brasileira”. O programa pretende agir antes, durante e após o ingresso de estudantes de escola pública na USP.

Ao observar a falta de informações sobre os resultados, a efetividade, concepção, implementação, funcionamento e financiamento do programa, os estudantes, funcionários e outros grupos de entidades civis consideraram necessário aprofundar a discussão numa audiência pública sobre o INCLUSP, o que foi um dos pontos de pauta do acordo de desocupação da Reitoria em junho último. A audiência deverá contar com a presença do coordenador do INCLUSP, o coordenador da FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular), a pró-reitoria de graduação e os representantes de movimentos sociais e cursinhos populares.

A audiência representará um excelente espaço para a discussão sobre a implementação de ações afirmativas que garantam a inclusão efetiva (acesso e permanência) da população pobre, negra e indígena. É necessário questionar a Universidade sobre a ausência de mecanismos efetivos que garantam a “representação social, cultural e étnica mais consoante com a sociedade multicultural em que vivemos”, previsto pelo próprio documento do INCLUSP. A audiência servirá como momento apropriado para discutir a política atual de assistência estudantil da USP, em especial, no que se refere à moradia, alimentação, transporte e o financiamento das bolsas de pesquisa e de extensão.

Organizada por estudantes e funcionários, a “Comissão aberta sobre o INCLUSP” possui a função de aprofundar o debate sobre a inclusão e mobilizar os diversos setores da sociedade civil para a audiência pública sobre o INCLUSP, prevista para setembro.

Neste sentido, a Comissão INCLUSP convida todos os Centros Acadêmicos, diretórios de estudantes das universidades públicas e particulares, sindicatos, entidades políticas do movimento negro, indígena, operário e movimentos de luta por terra e moradia, a participar da Audiência Pública, como forma de garantir a representação politicamente plural na discussão a respeito das políticas públicas de inclusão social da Universidade de São Paulo.

Este é um momento importante e solicitamos aos Centros Acadêmicos, o SINTUSP, a ADUSP e toda a comunidade USP que fomentem a discussão sobre a inclusão social no Ensino Superior dentro dos seus respectivos espaços de atuação, seja através da produção de artigos e textos, seja por meio da promoção de debates, seminários e simpósios.

Reunião de mobilização
A Comissão aberta sobre o INCLUSP faz o convite a todos e todas para participar da próxima reunião de organização no dia 02/08/2007, às 18h, próxima quinta-feira, no Centro Acadêmico Professor Paulo Freire (CAPPF), da Faculdade de Educação da USP (FE/USP), onde discutiremos o formato da audiência e as estratégias de mobilização para a mesma.

Para mais informações sobre a Comissão INCLUSP:
E-mail: ctinclusp@gmail.com
Comissão aberta sobre o INCLUSP, julho de 2007

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Façamos uma luta com arte! À espera do "Samba, prosa e poesia:


(Quinteto Em Preto E Branco, Não Sou Pai João)

Sou negro sim

Mas não sou pai João

Sigo na luta até o fim

Sou cabano, quilombola

Guerreio brigão


Meus irmãos, minhas irmãs

Quero ver bem

Mas claro sem dizer amém

Sem se curvar a ninguém

Gente bonita pra mim

É a que luta e sabe quando dizer não também

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Samba, Prosa e Poesia

Samba, Prosa e Poesia

a produção de conhecimento na periferia

por Thiago Molina

"Samba, Prosa e Poesia: a produção de conhecimento na periferia" é uma aula/debate agendada para quinta-feira, 14/06/07, às 19h, organizada pelo coletivo "Ocupação Afirmativa" como atividade do “Cultura de Greve”, ciclos de debates de formação.


A aula tem o objetivo de trazer para a USP artistas e intelectuais, em sua grande maioria negros, que estão produzindo conhecimento e arte na periferia da cidade e do sistema, sem (ou muito pouco) apoio e/ou financiamento governamental.


A intenção desta aula é levantar o debate em torno do significado de universidade pública. Será que é pública uma universidade que excluiu os negros, indígenas e desvalidos do direito a educação superior? Será que é pública uma universidade que rotula como "inculto", "sem valor", o conhecimento e a arte de tudo que não é europeu?

Como estudantes desta universidade, negros e/ou oriundos da periferia de diversas cidades, somos particularmente incomodados com a falta de democratização no acesso e de apoio a permanência para aqueles que desafiam o sistema para ocupar uma vaga nas universidades públicas deste país, tradicionalmente freqüentadas pela elite e majoritariamente formadas por estudantes brancas e brancos. Por conta da greve, nossa organização é mais que necessária para que nossas pautas sejam ouvidas e para que nossos objetivos concretizem-se e saiam do plano dos sonhos. Aqui, estamos falando de políticas de ações afirmativas, especialmente de cotas.


Assim, consideramos que nada melhor do que mostrar aos estudantes da USP quem está por trás da produção artística na periferia e, ao mesmo tempo, dar voz dentro da universidade a grupos organizados que tem buscado mudar a realidade em que vivem através da arte. Grupos estes que são detentores de uma experiência única, porém com acesso a universidade somente através de teses e dissertações mofadas na biblioteca. Acreditamos que diversidade é fator fundamental para o crescimento mútuo e é por uma universidade plural que estamos brigando. Cansamos da opinião única e eurocêntrica na universidade pública! Queremos que nossos irmãos e irmãs se apresentem à universidade como protagonistas que são da nossa história! É hora da periferia e da população negra parar de ser objeto de estudo e falar por ela mesma. É isso que os grupos e pessoas convidados tem feito na sua vila, nas suas respectivas quebradas, cada um ao seu modo.

Primando pela real pluralidade na universidade pública, queremos gritar bem alto:

É tudo nosso!!!

Ato Educafro


Esse ato com a Educafro em apoio à ocupação aconteceu dia 29/5. Discutimos novamente a necessidade de pensar em novas formas de acesso para que a população pobre, negra e indígena possa adentrar a USP!


Carta da Educafro:
Educafro ocupa a reitoria da USP

Nunca a universidade pública sofreu um ataque tão cruel por parte do governo do estado. Frente a isso, os estudantes da USP responderam com uma ocupação histórica no prédio da Reitoria, onde estão há 26 dias resistindo com o apoio de professores e funcionários, inclusive sob ameaça de “reintegração de posse”, que talvez possa ser violenta. É assim que funciona? Cadê a liberdade de expressão e o racionalismo que regem a universidade?

A falta de diálogo por parte da reitora Sueli Vilela demonstra apenas o que o povo negro e pobre já vem sentindo na pele por muitos anos: o não ser ouvido por quem está no poder e deveria nos representar.

Pela demonstração de luta, força e coragem dada nessa ocupação, a Educafro (Educação e Cidadania para Afrodescendentes e Carentes) vem manifestar seu apoio na tentativa de unificar a luta em defesa da educação, pois acredita que a inclusão de negros e pobres deve estar entre as primeiras reivindicações na pauta.

Por isso, hoje, 29.05.2007, ocupamos a reitoria, símbolo da burocracia universitária que nos priva do acesso ao ensino de qualidade que nos é de direito, tentando nos calar com políticas insuficientes como é o caso do Inclusp, que na verdade não inclui ninguém.

Viemos aqui para dizer não à repressão, não ao sucateamento da universidade pública e sim para a inclusão. Todo apoio aos guerreiros e guerreiras que mantém essa já vitoriosa ocupação.

Inclusão, a hora é agora, ocupação fazendo história!...cotas já!

Família Educafro, 29 de maio de 2007

Debate Trabalhador Negro na USP


Essa foi uma atividade que
ocorreu na última segunda (04/06).

quarta-feira, 30 de maio de 2007

CHEGOU A HORA DE FALAR!

OCUPAÇÃO AFIRMATIVA!
É um coletivo formado por
pessoas interessadas no debate de Ações Afirmativas nas instituições públicas de Ensino Superior. Esse coletivo foi formado com objetivo de discutir a Autonomia da Universidade num sentido mais amplo, incluindo na pauta de reivindicações dos estudantes a questão do acesso e da permanência de estudantes negros e egressos de escolas públicas na Universidade de São Paulo.

+ OCUPA! OCUPA! OCUPA! O Coletivo OCUPAÇÃO AFIRMATIVA se posiciona favorável à manutenção da ocupação da Reitoria da USP como instrumento de construção da Greve Unificada entre estudantes, trabalhadores e professores.

+ AUTONOMIA PARA QUE E PARA QUEM? O Coletivo OCUPAÇÃO AFIRMATIVA tem como certo que o debate sobre autonomia universitária precisa ser pautado pela discussão do sentido da Universidade Pública brasileira. Discussão esta que não pode ser feita sem a construção de propostas objetivas que visem a democratização do acesso de grupos historicamente excluídos no ensino superior, tais como negros, indígenas e estudantes oriundos de escolas públicas.

+ GREVE DE PIJAMA, NÃO! O Coletivo OCUPAÇÃO AFIRMATIVA defende uma greve em que os pontos de pauta sejam aprofundados através de discussões, grupos de trabalho, oficinas, palestras, aulas públicas, entre outros.

+ TODOS À GREVE! O Coletivo OCUPAÇÃO AFIRMATIVA também apóia a greve de funcionários, o único “quadro negro” da Universidade e defende que se construa uma pauta conjunta de reivindicações com os estudantes.

+ PARA ALÉM DOS MUROS DA UNIVERSIDADE! O Coletivo OCUPAÇÃO AFIRMATIVA é favorável a que a greve seja articulada com Movimentos da Sociedade Civil, que historicamente têm denunciado o caráter elitista da universidade pública brasileira, sobretudo da USP. A sociedade não suporta mais sustentar (PAGAR) a manutenção de privilégios de uma elite racista e classista.